<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Substack de Luara]]></title><description><![CDATA[Meu Substack pessoal]]></description><link>https://luaraoliveir.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Pr2E!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd6a09e36-adc7-455c-a693-bbd5e4d2a5bd_400x400.jpeg</url><title>Substack de Luara</title><link>https://luaraoliveir.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 17 Jul 2026 03:52:52 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://luaraoliveir.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Luara Oliveira]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[luaraoliveir@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[luaraoliveir@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Luara Oliveira]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Luara Oliveira]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[luaraoliveir@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[luaraoliveir@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Luara Oliveira]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[O que eu aprendi estudando luxo com a LVMH e por que isso muda como penso em qualquer experiência de cliente]]></title><description><![CDATA[Uma reflex&#227;o sobre o certificado LVMH Institute em Creation & Branding e Retail & Customer Experience]]></description><link>https://luaraoliveir.substack.com/p/o-que-eu-aprendi-estudando-luxo-com</link><guid isPermaLink="false">https://luaraoliveir.substack.com/p/o-que-eu-aprendi-estudando-luxo-com</guid><dc:creator><![CDATA[Luara Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Sat, 11 Jul 2026 18:45:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Pr2E!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd6a09e36-adc7-455c-a693-bbd5e4d2a5bd_400x400.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Quando decidi fazer o programa de especializa&#231;&#227;o do LVMH Institute, n&#227;o esperava que o maior aprendizado viesse de um deslocamento de perspectiva. Setores que n&#227;o operam com os padr&#245;es de exig&#234;ncia do luxo raramente tornam vis&#237;vel o que est&#225; impl&#237;cito em cada decis&#227;o de experi&#234;ncia. O curso fez exatamente isso: iluminou a anatomia de uma experi&#234;ncia bem constru&#237;da, e mostrou que ela tem muito pouco a ver com pre&#231;o ou exclusividade, e muito mais com inten&#231;&#227;o, coer&#234;ncia e microdecis&#245;es que se acumulam ao longo do tempo.</p><p>Este texto n&#227;o &#233; um resumo do curso. &#201; uma tentativa de articular o que ficou, e por que ficou.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://luaraoliveir.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Substack de Luara! 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S&#227;o o filtro pelo qual cada decis&#227;o passa, do design de embalagem &#224; forma como um Client Advisor aborda um cliente em loja.</p><p>O primeiro &#233; Creativity &amp; Innovation, entendido n&#227;o como ruptura, mas como a capacidade de se renovar continuamente sem perder a coer&#234;ncia com a heran&#231;a da marca. O segundo &#233; Entrepreneurial Spirit, que se traduz na estrutura descentralizada do grupo: cada Maison tem autonomia criativa e gerencial, o que permite que marcas t&#227;o diferentes quanto a Louis Vuitton e a Mo&#235;t &amp; Chandon coexistam sob um mesmo guarda-chuva sem se diluir. O terceiro &#233; Quest for Excellence, que dentro do grupo n&#227;o &#233; um diferencial competitivo, &#233; o piso m&#237;nimo aceit&#225;vel em cada touchpoint, de produto a servi&#231;o. O quarto &#233; Sense of Commitment, que se manifesta tanto na responsabilidade ambiental estruturada pelo programa LIFE 360, quanto no comprometimento com colaboradores, comunidades e parceiros da cadeia de valor.</p><p>A miss&#227;o do grupo &#233; resumida em uma frase que parece simples mas carrega peso consider&#225;vel: &#8220;The Art of Crafting Dreams.&#8221; O que o curso deixa claro &#233; que sonhos n&#227;o se fabricam com uma campanha. Eles se constroem com consist&#234;ncia em cada camada da organiza&#231;&#227;o. E essa consist&#234;ncia s&#243; &#233; poss&#237;vel quando a cultura interna sustenta o que a marca promete externamente. A experi&#234;ncia do colaborador e a experi&#234;ncia do cliente s&#227;o, nesse modelo, insepar&#225;veis.</p><p>Isso ressoa com algo que a minha trajet&#243;ria profissional foi confirmando ao longo do tempo: os problemas de jornada raramente est&#227;o nos processos vis&#237;veis. Est&#227;o nas lacunas entre o que a organiza&#231;&#227;o acredita que entrega e o que o cliente de fato experimenta. O luxo simplesmente n&#227;o tem toler&#226;ncia para essa dist&#226;ncia, e talvez seja por isso que suas solu&#231;&#245;es sejam t&#227;o cir&#250;rgicas.</p><h2>Brand DNA: o que n&#227;o muda quando tudo muda</h2><p>Um dos m&#243;dulos mais densos foi o de Brand DNA e C&#243;digos Visuais. A distin&#231;&#227;o central entre DNA e brand codes pode parecer t&#233;cnica &#224; primeira vista, mas ela tem implica&#231;&#245;es profundas na pr&#225;tica.</p><p>O DNA de marca &#233; a ess&#234;ncia imut&#225;vel: os valores fundadores, a heran&#231;a hist&#243;rica, o posicionamento que define quem a marca &#233; independentemente do que ela lan&#231;a. Os brand codes s&#227;o as express&#245;es tang&#237;veis e mut&#225;veis desse DNA: visuais, linguagem, rituais, materiais, formatos de produto. A implica&#231;&#227;o cr&#237;tica &#233; que os c&#243;digos podem e devem evoluir, mas a evolu&#231;&#227;o s&#243; &#233; leg&#237;tima quando ancora no DNA. Quando essa &#226;ncora se perde, a inova&#231;&#227;o vira deriva, e a marca perde o que os clientes de luxo pagam para encontrar: reconhecimento, continuidade, identidade.</p><p>Os exemplos concretos deram escala ao conceito. A &#8220;Porscheness&#8221; que precisou sobreviver intacta dentro do Cayenne, um SUV que parecia contradizer tudo que a marca representava esteticamente, mas que foi desenvolvido de forma a preservar a sensa&#231;&#227;o de dire&#231;&#227;o, a ergonomia, o posicionamento de performance que define a Porsche. A patina do couro Berluti, que n&#227;o &#233; um defeito a ser corrigido, &#233; o produto em si, porque muda de forma &#250;nica com o tempo de cada usu&#225;rio. A vicu&#241;a da Loro Piana, t&#227;o rara que o processo de obten&#231;&#227;o da fibra, que envolve tosquia manual de animais selvagens nos Andes, se torna parte insepar&#225;vel do valor do produto. O ba&#250; Louis Vuitton com gavetas secretas criado sob medida para Hemingway, onde personaliza&#231;&#227;o n&#227;o era um servi&#231;o adicional, era a pr&#243;pria defini&#231;&#227;o do que aquele objeto era.</p><p>Em todos esses casos, o c&#243;digo mudou. O DNA n&#227;o.</p><h2>A relojoaria: quando engenharia e arte se tornam experi&#234;ncia</h2><p>Dentre todos os universos cobertos pelo curso, o de alta relojoaria foi o que mais me surpreendeu na forma como traduz conceitos abstratos em objetos concretos e sensoriais.</p><p>Um rel&#243;gio de alta relojoaria n&#227;o &#233; um produto de moda, e tampouco &#233; essencialmente um produto de tecnologia, embora contenha tecnologia de precis&#227;o extraordin&#225;ria. &#201; a converg&#234;ncia entre engenharia e arte em um objeto que cabe no pulso. Mecanismos com centenas de componentes, movimentos com toler&#226;ncias de microns, complica&#231;&#245;es como tourbillons e perp&#233;tuas que exigem anos de dom&#237;nio artesanal para serem executadas com confiabilidade. E toda essa complexidade t&#233;cnica, invis&#237;vel ao olho nu, existe para servir uma experi&#234;ncia que &#233; fundamentalmente sensorial e emocional: o som do movimento ao abrir o fundo do rel&#243;gio, o peso espec&#237;fico no pulso, a forma como a luz se comporta sobre um mostrador guilhoch&#233;, o prazer t&#225;til de acionar um complicador.</p><p>O que fascina &#233; que cada micro decis&#227;o, o &#226;ngulo de um chanfro, a espessura de um ponteiro, a escolha entre esmalte Grand Feu e lacque, o di&#226;metro exato de uma coroa, &#233; tomada simultaneamente em duas dimens&#245;es: a da precis&#227;o t&#233;cnica e a de como aquela decis&#227;o ser&#225; percebida por quem usa. N&#227;o existe detalhe que seja apenas funcional, e n&#227;o existe detalhe que seja apenas est&#233;tico. Os dois registros coexistem em cada componente.</p><p>Isso &#233;, em forma f&#237;sica e mec&#226;nica, o conceito de &#8220;The Art of Crafting Dreams.&#8221; E entender isso muda a forma como se olha para qualquer produto que pretende ser mais do que funcional.</p><h2>A jornada do cliente no luxo: cinco momentos que n&#227;o s&#227;o iguais em nenhum universo</h2><p>O curso trabalha a jornada cl&#225;ssica, Awareness, Interest, Desire, Action e Post Action, mas o que torna o tratamento rico n&#227;o &#233; o framework em si, que muitos profissionais j&#225; conhecem em alguma de suas varia&#231;&#245;es. &#201; a forma como o curso demonstra que cada etapa se comporta de maneira radicalmente diferente dependendo do universo da Maison, e como essa diferen&#231;a n&#227;o &#233; perif&#233;rica, &#233; central para a estrat&#233;gia.</p><p>No universo de vinhos e espumantes, o Awareness muitas vezes come&#231;a d&#233;cadas antes da compra, constru&#237;do atrav&#233;s de safras, de rituais de celebra&#231;&#227;o familiares, de sommeliers que educam paladares em jantares e degusta&#231;&#245;es. O Desire &#233; cultivado ao longo de anos de experi&#234;ncias sensoriais, n&#227;o de campanhas. Em joias como a Bulgari, o momento de Action frequentemente n&#227;o &#233; uma decis&#227;o individual de consumo: &#233; um gesto relacional, um presente que carrega significado afetivo ou comemorativo, e a estrat&#233;gia de ativa&#231;&#227;o precisa considerar quem compra tanto quanto quem vai usar. Em perfumaria, o Post Action &#233; talvez o est&#225;gio mais poderoso de toda a jornada: o momento em que o produto se transforma em mem&#243;ria olfativa e a marca se torna parte da identidade de quem usa, acionada involuntariamente por d&#233;cadas a cada vez que aquela combina&#231;&#227;o de notas aparece no ar.</p><p>O que o curso evidencia &#233; que o Desire no luxo n&#227;o &#233; criado por press&#227;o ou urg&#234;ncia. &#201; constru&#237;do por uma combina&#231;&#227;o de escassez percebida, narrativa de heran&#231;a, qualidade sensorial demonstr&#225;vel e acesso cuidadosamente calibrado. E o Post Action n&#227;o &#233; o fim da jornada, &#233; o ponto de partida da pr&#243;xima. O cliente que viveu uma experi&#234;ncia de luxo memor&#225;vel n&#227;o volta para repetir uma compra. Volta para continuar uma rela&#231;&#227;o.</p><h2>Client Development: quando CRM deixa de ser tecnologia e vira relacionamento</h2><p>Uma das partes mais ricas do curso foi o m&#243;dulo de Client Development. A defini&#231;&#227;o que ficou &#233; direta: Client Development envolve construir e nutrir os relacionamentos que elevam lealdade, engajamento e satisfa&#231;&#227;o. As quatro fun&#231;&#245;es que sustentam isso s&#227;o Clienteling, CRM, Marketing Automations e Loyalty Programs.</p><p>O que diferencia o clienteling de luxo de um CRM convencional &#233; a profundidade da personaliza&#231;&#227;o. N&#227;o se trata de segmentar por faixa de gasto ou frequ&#234;ncia de compra. Trata-se de conhecer o cliente a ponto de antecipar o que ele vai querer, e de entregar isso de uma forma que n&#227;o pare&#231;a opera&#231;&#227;o, mas aten&#231;&#227;o genu&#237;na. O Client Advisor de uma Maison n&#227;o &#233; um vendedor com acesso a um sistema. &#201; um curador de relacionamento com mem&#243;ria institucional sobre prefer&#234;ncias, hist&#243;rico, datas significativas, e a sensibilidade de saber quando acionar cada uma dessas informa&#231;&#245;es.</p><p>Hugues Beaujouan, da LVMH, colocou com precis&#227;o a transforma&#231;&#227;o em curso nos Client Service Centers: n&#227;o s&#227;o mais estruturas de resolu&#231;&#227;o de problemas. S&#227;o plataformas de cria&#231;&#227;o de experi&#234;ncias memor&#225;veis. As tr&#234;s prioridades que guiam essa evolu&#231;&#227;o s&#227;o a ativa&#231;&#227;o de portf&#243;lio de clientes com estrat&#233;gias de clienteling inspiradas nas melhores pr&#225;ticas das Maisons, a excel&#234;ncia omnichannel com servi&#231;os como reserva de produtos, agendamentos e experi&#234;ncia remota de boutique, e a efici&#234;ncia operacional via Gen AI e LiveChat, que libera os advisors para conversas que de fato exigem presen&#231;a humana.</p><p>O futuro desse campo n&#227;o &#233; automa&#231;&#227;o substituindo relacionamento. &#201; automa&#231;&#227;o viabilizando que relacionamento aconte&#231;a em escala, com qualidade, sem perder a dimens&#227;o pessoal que define o luxo.</p><h2>Gamifica&#231;&#227;o e novas gera&#231;&#245;es: transformar fric&#231;&#227;o em intera&#231;&#227;o</h2><p>Uma dimens&#227;o que o curso abordou com clareza crescente de urg&#234;ncia &#233; a rela&#231;&#227;o entre as novas gera&#231;&#245;es e a experi&#234;ncia de luxo. Emanuela Prandelli, da Bocconi, foi direta: gamifica&#231;&#227;o no luxo n&#227;o &#233; uma tend&#234;ncia passageira. &#201; uma resposta estrutural a uma gera&#231;&#227;o que aprendeu a se relacionar com produtos, marcas e servi&#231;os atrav&#233;s de intera&#231;&#227;o, progress&#227;o e participa&#231;&#227;o, n&#227;o de consumo passivo.</p><p>O que torna esse tema complexo no contexto do luxo &#233; que gamifica&#231;&#227;o mal aplicada destr&#243;i exatamente o que a marca precisa preservar: a sensa&#231;&#227;o de exclusividade, de raridade, de que aquela experi&#234;ncia n&#227;o est&#225; dispon&#237;vel para qualquer pessoa a qualquer momento. O desafio n&#227;o &#233; adicionar mec&#226;nicas de jogo a um produto de luxo. &#201; repensar como a experi&#234;ncia em si pode ser desenhada para remover fric&#231;&#245;es desnecess&#225;rias e transform&#225;-las em momentos de intera&#231;&#227;o com o produto, com a marca e com a comunidade ao redor dela.</p><p>O caso da Hennessy ilustra isso com precis&#227;o: clientes que faziam parte de uma comunidade digital foram convidados a co-design uma edi&#231;&#227;o especial da garrafa. N&#227;o era um sorteio, nem um programa de pontos. Era participa&#231;&#227;o real em um processo criativo que normalmente pertence apenas &#224; Maison. A gamifica&#231;&#227;o, ali, n&#227;o reduziu o luxo. Amplificou o sentimento de pertencimento e co-autoria que as novas gera&#231;&#245;es buscam em uma marca. A dire&#231;&#227;o que se desenha &#233; essa: cada vez menos fric&#231;&#227;o entre o cliente e o produto, e cada vez mais intera&#231;&#227;o que fa&#231;a o cliente sentir que &#233; parte do que aquela marca &#233;, n&#227;o apenas consumidor do que ela produz.</p><h2>Omnichannel: a complexidade que nenhum sistema resolve sozinho</h2><p>Omnichannel &#233; uma das palavras mais usadas e menos compreendidas em experi&#234;ncia do cliente. O curso trouxe uma clareza que raramente encontro nas discuss&#245;es convencionais sobre o tema.</p><p>A complexidade do omnichannel no luxo n&#227;o &#233; primariamente tecnol&#243;gica. &#201; conceitual. Cada canal tem sua pr&#243;pria linguagem, ritmo e expectativa. Uma boutique na Avenue Montaigne carrega uma l&#243;gica de experi&#234;ncia completamente diferente de um e-commerce, que carrega uma l&#243;gica diferente de um WeChat Mini Program na China, que carrega uma l&#243;gica diferente de uma flagship em T&#243;quio. A quest&#227;o n&#227;o &#233; apenas integrar esses canais tecnicamente para que compartilhem dados e hist&#243;rico do cliente. &#201; manter a identidade da marca reconhec&#237;vel e coerente atravessando particularidades culturais, comportamentais e funcionais que s&#227;o, em muitos casos, aparentemente irreconcili&#225;veis.</p><p>O desafio real &#233; que padroniza&#231;&#227;o e personaliza&#231;&#227;o precisam coexistir. O padr&#227;o garante reconhecimento da marca em qualquer ponto de contato. A personaliza&#231;&#227;o garante que aquele ponto de contato fa&#231;a sentido para quem est&#225; do outro lado. Encontrar onde cada um cede espa&#231;o ao outro, em cada canal, em cada mercado, &#233; o trabalho que n&#227;o tem f&#243;rmula pronta.</p><h2>A &#193;sia como laborat&#243;rio, n&#227;o como mercado secund&#225;rio</h2><p>Uma das viradas de perspectiva mais significativas do curso foi sobre o papel da &#193;sia, e da China especificamente, na defini&#231;&#227;o de tend&#234;ncias globais no luxo.</p><p>O ecossistema digital chin&#234;s n&#227;o &#233; uma vers&#227;o adaptada do ocidental. &#201; estruturalmente diferente: m&#250;ltiplos canais de e-commerce al&#233;m do modelo de site tradicional, social commerce integrado, super apps que unificam comunica&#231;&#227;o, pagamento e consumo em uma &#250;nica plataforma. O comportamento do consumidor chin&#234;s de luxo n&#227;o &#233; o comportamento ocidental com outras prefer&#234;ncias est&#233;ticas. &#201; outro modelo de rela&#231;&#227;o com marca, produto e experi&#234;ncia, constru&#237;do sobre infraestruturas digitais e sociais que n&#227;o t&#234;m equivalente direto no ocidente.</p><p>Wendy Chan, que gerencia transforma&#231;&#227;o digital e estrat&#233;gia omnichannel na &#193;sia para a LVMH, resumiu com precis&#227;o: &#8220;China has a unique Digital Ecosystem.&#8221; E esse ponto tem implica&#231;&#245;es que v&#227;o al&#233;m do mercado chin&#234;s. Quando se estuda um ecossistema t&#227;o diferente com aten&#231;&#227;o real, percebe-se que boa parte do que o mercado ocidental trata como comportamento universal do consumidor &#233;, na verdade, comportamento espec&#237;fico de um contexto hist&#243;rico, cultural e tecnol&#243;gico particular. A &#193;sia n&#227;o &#233; o futuro do luxo apenas em volume. &#201; um lugar onde certas perguntas sobre experi&#234;ncia, engajamento e rela&#231;&#227;o com marca j&#225; est&#227;o sendo respondidas de formas que o ocidente ainda n&#227;o chegou a formular.</p><p>A estrat&#233;gia apresentada por Wendy Chan tem tr&#234;s pilares que fazem sentido al&#233;m da China: integrar digital nos times funcionais em vez de trat&#225;-lo como &#225;rea separada, dominar o ecossistema local antes de tentar replicar f&#243;rmulas externas, e elevar o papel de dados e tecnologia como infraestrutura de decis&#227;o.</p><h2>IA no luxo: suporte, n&#227;o substituto</h2><p>O m&#243;dulo de tecnologias emergentes foi um dos que mais me aproximou de reflex&#245;es que j&#225; havia desenvolvido por caminhos diferentes.</p><p>Nelly Mensah, VP de Digital Innovation &amp; Emerging Solutions na LVMH, trouxe uma defini&#231;&#227;o de tecnologias emergentes que muda o enquadramento usual da discuss&#227;o: n&#227;o s&#227;o necessariamente as mais recentes em termos de desenvolvimento. S&#227;o as que ainda n&#227;o atingiram maturidade de implementa&#231;&#227;o dentro do setor de luxo especificamente, ou as que funcionam com sucesso em outros segmentos mas ainda n&#227;o foram traduzidas para as particularidades e os padr&#245;es de exig&#234;ncia das Maisons. Isso desloca a pergunta de &#8220;qual tecnologia existe?&#8221; para &#8220;qual tecnologia est&#225; pronta para este contexto, e o que &#233; necess&#225;rio para que ela seja implementada sem comprometer o que a marca &#233;?&#8221;</p><p>A posi&#231;&#227;o da LVMH sobre IA &#233; consistente em todos os instrutores e n&#227;o deixa ambiguidade: IA &#233; infraestrutura de suporte, n&#227;o produto central. Em loja, ela ajuda Client Advisors a acessar informa&#231;&#227;o com mais velocidade e precis&#227;o, sem substituir a leitura humana do momento e do cliente. Em atendimento, ela automatiza o operacional repetitivo para que os times dediquem tempo e aten&#231;&#227;o a conversas que exigem julgamento, empatia e presen&#231;a. Em e-commerce, ela aprimora busca, recomenda&#231;&#227;o e descoberta de produto com uma intelig&#234;ncia preditiva que o cat&#225;logo est&#225;tico n&#227;o consegue oferecer. A dimens&#227;o preditiva &#233; particularmente relevante: a IA no luxo n&#227;o reage apenas ao que o cliente fez. Ela antecipa o que o cliente vai querer, e entrega isso antes que o cliente precise articular a necessidade.</p><p>O que a IA n&#227;o carrega, e o curso &#233; expl&#237;cito nisso, &#233; a desejabilidade que sustenta uma marca de luxo. Curadoria, narrativa, julgamento est&#233;tico, conex&#227;o emocional, a capacidade de fazer um cliente sentir que aquele objeto foi pensado especificamente para ele: essa parte continua sendo responsabilidade humana, e nenhuma automa&#231;&#227;o razo&#225;vel pretende mudar isso.</p><p>Luciana De Goes, Chief Omni-Retail Officer da LVMH, colocou com uma clareza que vale registrar: &#8220;Not to replace people, but to help our teams focus even more on what makes luxury unique: creativity, emotion, and human connection.&#8221; A abordagem da LVMH &#224; inova&#231;&#227;o &#233; descrita internamente como &#8220;ambitious, pragmatic, and always human at heart.&#8221; &#201; um posicionamento que resiste &#224;s duas narrativas dominantes: o tecno-otimismo que promete automa&#231;&#227;o total e o conservadorismo que trata tecnologia como amea&#231;a &#224; autenticidade da marca.</p><h2>O que o luxo ensina sobre qualquer experi&#234;ncia</h2><p>A conclus&#227;o que fica n&#227;o &#233; sobre luxo. &#201; sobre o que acontece quando uma organiza&#231;&#227;o decide n&#227;o tolerar a dist&#226;ncia entre o que promete e o que entrega.</p><p>No luxo, essa intoler&#226;ncia &#233; o modelo de neg&#243;cio. A excel&#234;ncia n&#227;o &#233; um diferencial. &#201; o piso m&#237;nimo. E para que ela seja consistente, precisa estar em cada camada: na cultura interna, na forma&#231;&#227;o dos times, na granularidade dos processos, na forma como cada canal se comporta, na velocidade com que a tecnologia serve a inten&#231;&#227;o humana e n&#227;o ao contr&#225;rio.</p><p>As compet&#234;ncias para ter sucesso em Retail que o curso apresentou, Passion, Adaptability, Vision and Clarity, Commercial Acumen, Ambition, Drive, Authenticity e Ability to Inspire, n&#227;o s&#227;o espec&#237;ficas do varejo de luxo. S&#227;o a descri&#231;&#227;o de qualquer profissional que entende que sua fun&#231;&#227;o n&#227;o &#233; operar um processo. &#201; sustentar uma experi&#234;ncia.</p><p>E &#233; o tipo de aprendizado que n&#227;o fica no curr&#237;culo. Fica na forma como voc&#234; pensa o seu trabalho.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://luaraoliveir.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Substack de Luara! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>